Jovens de até 25 anos são só 3% dos investidores da Bolsa

Geração é habituada ao risco e tem tempo para manter seus investimentos

Adolescentes. As irmãs Bárbara e Lara Sterkcink, de 17 e 15 anos, já definem a estratégia de seus investimentos na Bolsa e pesam riscos
Adolescentes. As irmãs Bárbara e Lara Sterkcink, de 17 e 15 anos, já definem a estratégia de seus investimentos na Bolsa e pesam riscos

O início da vida adulta é desafiador. Ao mesmo tempo em que é preciso administrar o dinheiro para conseguir fechar as contas no fim do mês, começa a bater aquela preocupação com o futuro das finanças. Quando sobra algum recurso, fica a dúvida sobre onde investir. Com um futuro inteiro pela frente, mais familiaridade com os riscos e facilidade de navegar num mundo de informações, a Bolsa de Valores pode ser uma boa opção de investimento para os jovens adultos.

“Eles já vêm com a noção correta, que era incomum há alguns anos, de que bolsa de valores é investimento de longo prazo e que as oscilações podem gerar bons resultados. Além disso, essa geração tem acesso muito mais fácil à informação, o que torna o trabalho bem mais eficiente”, explica o diretor do clube de investimento Sifra, Marcelo Lopez.

Dos mais de 600 mil investidores brasileiros com papéis na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), apenas pouco mais de 20 mil, 3,41% do total, estão abaixo dos 25 anos. O número é relativamente baixo, mas o potencial é enorme. “Vem crescendo o número de investidores abaixo dos 25 anos. E eles já chegam com uma maturidade impressionante. Está se disseminando a cultura de que a bolsa é um bom investimento. As pessoas conhecem várias histórias de gente que ficou rica com a Bolsa, mas nenhuma de alguém que ficou rico com a poupança”, defende Lopez.

Comparando o ganho dos investimentos, a poupança rendeu 6,18% nos últimos 12 meses e o CDB rendeu, em média, 7,8% nos últimos 12 meses. Já o desempenho do Índice Bovespa (Ibovespa) caiu 10,85%, no geral, nos últimos doze meses, mas o rendimento do investidor depende de sua carteira de ações.

“O segredo é estudar bastante o mercado. Às vezes pode não haver um motivo real para a queda nas ações de uma empresa. Isso pode ser uma boa oportunidade para comprar ações mais baratas”, explica o jovem investidor Daniel Cambraia, que há dois anos reserva 30% da sua receita mensal para investir em ações.

Os riscos, segundo Cambraia, existem, mas ele discorda da ideia de que a bolsa de valores é um “cassino”. “É preciso conter a ansiedade, a precipitação e achar que vai conseguir renda de 30% ao mês. Sendo responsável, os riscos caem consideravelmente”, diz.

Começando cedo. Entre as 874 mulheres brasileiras de até 17 anos que possuem ações na Bovespa estão as irmãs Lara e Bárbara Sterkcink, de 15 e 17 anos, respectivamente. As duas fazem parte de um clube de investimento com carteira diversificada no mercado de ações.

Junto com o gestor das contas, elas definem a estratégia dos investimentos e os riscos que estão envolvidos na operação. “Todo mês eu separo uma parte da minha mesada para investir”, diz Bárbara. “Eu conto com esse dinheiro para ter uma segurança e usar em alguma emergência. Eu não me preocupo em precisar do dinheiro agora”, explica. Bárbara conta que a família tem tradição nesse tipo de negócio e que tem assessoria dos pais, mas, em breve, terá mais autonomia. “Faço vestibular no ano que vem, e quero fazer alguma coisa relacionada a finanças e investimentos”, diz.

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